Adquiri um hábito durante a graduação, de reler tudo aquilo que foi escrito um tempo depois, de um hábito cientifico, tornou-se uma mania, um sentimentalismo. Aquelas coisas que eu faço quando não tenho muito para fazer e muito a pensar. Revendo esse blog com todas as minucias de crueldade notei o quanto meus textos são pautados de conjunções adversativas, cheio de pausas. Fiz uma busca muito pequena em meus devaneios e descobri que sou lotada de "contudos" porque aqui dentro tudo reina como uma balburdia.
Tomei decisões cheia de certeza, PORÉM, na mesma academia em que apreendi a revisitar meus pensamentos de forma crítica, também entendi que somos contradições que andam, falam e amam.
Ainda não consigo conceber essa ideia que me parece um bichinho incomodo e, quando olho aquelas letras que juntei em um espaço, em tempo ainda não entendo como meu coração se fez, ou mesmo se refez. Tento interpretar um passado que me foi caro, como aos 18, aos 21 para um breve salto aos 27 ou mesmo aos 26 tomei caminhos que hoje não reconheço. Mesmo que eu tivesse medo, gritasse coragem, lá estavam as conjunções me oferecendo as mãos para darmos um passeio.
Ainda em meio liquidez parafraseando um certo autor, revejo e percebo uma constante na qual me perdi, da qual voltei faz tão pouco tempo e cá entre nós apenas voltei porque aquele que me guardava as incertezas hoje não pode mais me deixar caminhar pelo meu desconhecido campo, mundo aquele com o qual eu me comunicava apenas quando "sim", insistia em transformar-se "mas".
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
sobre passado saudoso, idealizado e junto aos melhores amigos...
Eu passei uma manhã, uma tarde e uma noite olhando fotografias de um tempo passado, sempre me sentindo saudosa. Então achei de bom tom comprar uma garrafa de vinho branco e ouvir Bethânia olhando para os bichos no quintal, meu vizinho dedilhava ao piano Gardel.
Não comprei o vinho, já que afinal de contas eu nem gosto assim de vinho, pensei então em uma cerveja bem gelada com a mesma música, entretanto uma boa companhia cairia bem, nós poderíamos falar sobre a vida, filosofia, as novas formas de humor e último quadrinho do Batman, que cá entre nós é alucinante.
nem um nem outro preferi me esconder em meu quarto e fantasiar vendo alguns filmes.
Acredito que tenha percorrido muitos caminhos difíceis, mas nenhum deles é como agora e mais não sei se estou fazendo as coisas certas, já que tenho dias de profunda tristeza que não consigo explicar muito menos disfarçar, é como se alguma coisa dentro de mim dissesse que tudo vai ficar bem, mas eu por mais que corra não chego a nada.
Essa deveria ser uma carta escrita a punho, postada para que você cheia de emoção e saudades lesse, me respondesse, para dizer que tudo vai ficar bem que eu devo me reerguer.
Lembrei das inúmeras prozas de bar, das tentativas de parar de fumar, de mudar de vida, de viajar, dos dias em que você me vestiu e me aprontou e me mandou viver, me disse que eu deveria ser mais sensível, ler mais e praticar mais esportes.
Pois é, ainda não consigo fazer muitas coisas, ainda fico preocupada com aqueles ao meu redor, mas ainda torno tudo difícil por temer que me vejam.
Acho que não sei passar batom ainda, nem combinar roupas, nem ter uma tarde olhando o céu de bobeira, acredito que isso iria me matar de medo.
Sinto tanto sua falta, queria tanto poder entrar naquele ônibus e ver alguns bons filmes e bater uns retratos aqui acolá, porque ainda não compreendo meu caminho. Me sinto tão solitária, tão sem chão. Desejo profundamente conversar com você, sair para discutir a fome, o feminismo, as relações humanas e as saudades, até a chata da Magalhães eu tenho ouvido só para me lembrar de como as coisas eram de como sobreviver a vida que tem me dado tanto pavor, tanto susto.
Deixo me abraço terno e um sentimento de imensas saudades daquele passado recente que idealizei, sobre os sonhos de felicidade e sucesso que compartilhamos, bons amigos, boa vida. Também deixo o desejo de voltar, quem sabe nós bateríamos papo e você conhecesse o moço com quem me permito ser doce e dormir tranquilamente.
Espero poder não só sobreviver, mas também viver novamente, ter planos para um dia que virá, que um dia a gente se visite para dividir o bom e ruim.
Não comprei o vinho, já que afinal de contas eu nem gosto assim de vinho, pensei então em uma cerveja bem gelada com a mesma música, entretanto uma boa companhia cairia bem, nós poderíamos falar sobre a vida, filosofia, as novas formas de humor e último quadrinho do Batman, que cá entre nós é alucinante.
nem um nem outro preferi me esconder em meu quarto e fantasiar vendo alguns filmes.
Acredito que tenha percorrido muitos caminhos difíceis, mas nenhum deles é como agora e mais não sei se estou fazendo as coisas certas, já que tenho dias de profunda tristeza que não consigo explicar muito menos disfarçar, é como se alguma coisa dentro de mim dissesse que tudo vai ficar bem, mas eu por mais que corra não chego a nada.
Essa deveria ser uma carta escrita a punho, postada para que você cheia de emoção e saudades lesse, me respondesse, para dizer que tudo vai ficar bem que eu devo me reerguer.
Lembrei das inúmeras prozas de bar, das tentativas de parar de fumar, de mudar de vida, de viajar, dos dias em que você me vestiu e me aprontou e me mandou viver, me disse que eu deveria ser mais sensível, ler mais e praticar mais esportes.
Pois é, ainda não consigo fazer muitas coisas, ainda fico preocupada com aqueles ao meu redor, mas ainda torno tudo difícil por temer que me vejam.
Acho que não sei passar batom ainda, nem combinar roupas, nem ter uma tarde olhando o céu de bobeira, acredito que isso iria me matar de medo.
Sinto tanto sua falta, queria tanto poder entrar naquele ônibus e ver alguns bons filmes e bater uns retratos aqui acolá, porque ainda não compreendo meu caminho. Me sinto tão solitária, tão sem chão. Desejo profundamente conversar com você, sair para discutir a fome, o feminismo, as relações humanas e as saudades, até a chata da Magalhães eu tenho ouvido só para me lembrar de como as coisas eram de como sobreviver a vida que tem me dado tanto pavor, tanto susto.
Deixo me abraço terno e um sentimento de imensas saudades daquele passado recente que idealizei, sobre os sonhos de felicidade e sucesso que compartilhamos, bons amigos, boa vida. Também deixo o desejo de voltar, quem sabe nós bateríamos papo e você conhecesse o moço com quem me permito ser doce e dormir tranquilamente.
Espero poder não só sobreviver, mas também viver novamente, ter planos para um dia que virá, que um dia a gente se visite para dividir o bom e ruim.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Jovem ainda?
Existem alguns sinais de que você envelheceu, dentre eles estão os seguintes: os filmes os quais acompanhou o lançamento passam cotidianamente na TV, você pensa em ir a lugares onde possa sentar, guarda dinheiro para ir a um bom médico, vai ao supermercado com frequência, tem contas em diversos bancos ( preocupa-se com cheque especial, cartão empréstimos). Contudo o maior e mais assustador de todos os sinais é a mudança de papel que você irá dramatizar, quando o papel cuidado deixa de ser coadjuvante para que você assuma o papel principal aquele de quem cuida.
Existem poucas coisas que encantem mais uma menina de sete ou oito anos do que seu pai, ou melhor o que a figura paterna será durante uma certa estada ou quem sabe por toda sua existência. É ali, justamente naquele espaço entre dos braços que reside toda a segurança que busca, ela irá te proteger das quedas de bicicleta, dos primeiros beijos, das primeiras decepções afetivas, das primeiras escolhas, dos primeiros empregos. É apenas ali naquele pequeno território que irá residir toda compreensão.
Hoje depois de algum tempo, ainda tento me lembrar de como me desgarrei daquele espaço, acredito que foi um processo lento, como o cozimento de um doce, que me afastou daquele espaço. Mas ainda sinto como e quando isso aconteceu de forma drástica. Eu comecei dormindo sem avisar, depois comprei cigarros, algum tempo depois dormia fora, pintei cabelos e unhas e quando me dei por mim... tomava café de forma adulta, tomava ônibus e nem sequer pedia para ser espera.
Fui abandonando gradativamente as pequenas flores de cabelo ( que hoje só ocupam espaço nas gavetas) arrumei minha cama, voltei mais cedo para casa e conscientemente tentei abandonar alguns pequenos sonhos.
De um dia de sol fiz um chuvoso, não era permitido chorar, muito menos espernear, não era permitido ver desenhos do Xerife Pepe Legal, não era permitido não cumprir obrigações na preguiça do dia.
De uns meses para cá assumi o papel de quem esconde cabelos brancos e rugas aqui ali. Depois de umas semanas para cá nem nada de bobagens e discussões, de uns dias para cá, nada dessa besteira de chorar ou de rir. Em um dia abandonei os dentes levemente separados os calcanhares finos, os pequenos brinquedos, e as visitas na padaria.
Um dia cá outro para lá... assim que se faz gente grande, para ler jornais sérios, pagar contas, fazer diplomacia, cuidar de quem passa, assim se faz gente grande quando se deixa de comemorar aniversáio com bolo. Assim se faz quem vai crescer.
Existem poucas coisas que encantem mais uma menina de sete ou oito anos do que seu pai, ou melhor o que a figura paterna será durante uma certa estada ou quem sabe por toda sua existência. É ali, justamente naquele espaço entre dos braços que reside toda a segurança que busca, ela irá te proteger das quedas de bicicleta, dos primeiros beijos, das primeiras decepções afetivas, das primeiras escolhas, dos primeiros empregos. É apenas ali naquele pequeno território que irá residir toda compreensão.
Hoje depois de algum tempo, ainda tento me lembrar de como me desgarrei daquele espaço, acredito que foi um processo lento, como o cozimento de um doce, que me afastou daquele espaço. Mas ainda sinto como e quando isso aconteceu de forma drástica. Eu comecei dormindo sem avisar, depois comprei cigarros, algum tempo depois dormia fora, pintei cabelos e unhas e quando me dei por mim... tomava café de forma adulta, tomava ônibus e nem sequer pedia para ser espera.
Fui abandonando gradativamente as pequenas flores de cabelo ( que hoje só ocupam espaço nas gavetas) arrumei minha cama, voltei mais cedo para casa e conscientemente tentei abandonar alguns pequenos sonhos.
De um dia de sol fiz um chuvoso, não era permitido chorar, muito menos espernear, não era permitido ver desenhos do Xerife Pepe Legal, não era permitido não cumprir obrigações na preguiça do dia.
De uns meses para cá assumi o papel de quem esconde cabelos brancos e rugas aqui ali. Depois de umas semanas para cá nem nada de bobagens e discussões, de uns dias para cá, nada dessa besteira de chorar ou de rir. Em um dia abandonei os dentes levemente separados os calcanhares finos, os pequenos brinquedos, e as visitas na padaria.
Um dia cá outro para lá... assim que se faz gente grande, para ler jornais sérios, pagar contas, fazer diplomacia, cuidar de quem passa, assim se faz gente grande quando se deixa de comemorar aniversáio com bolo. Assim se faz quem vai crescer.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Para meu querido neto...
Eu nem sei ainda como será seu rosto, mas já passei muitos instantes imaginado, se você terá olhos verdes como os da sua vó e furinho no queixo como seu avô, espero que tenha perseverança e muita força como ele. Já que falamos sobre esse assunto, por um acaso, por uma força maior, seu querido avô resolveu passear em outros caminhos, mas como sua tia é historiadora ela jamais se furtaria de narrar sobre aquele senhor barbudo que caminhou por aqui. Ouso até escrever uma carta como se fosse dele para você meu pequeno.
"Querido Eduardo, opa Dudu, meu neto. Seu avô tem uma larga experiencia e uma vida muito diversificada, portanto posso deixar alguns recados.
A vida é repleta de escolhas ( tive essa conversa com todos meus filhos, com meus netos não seria diferente) você deve sempre optar pelo que é justo e bom, não só para você mas para todos que ama, até para os que não conhece. Lute por tudo que acredita, ainda que muita gente vá olhar sem compreensão, não desista de nada, estude muito, mas aquilo que ama, seu ofício deve ser sua paixão e para ser bem feito só com muito afeto.
Esteja em comunhão com todos que você ama, mude se for necessário, reveja sua vida, demonstre carinho. Aprenda a comer x-salada com Choco Milk, aprenda também a nadar em rios, comer croquete (receita da sua bisa), abrace muito sua vó, ela fará todas as suas vontades."
Ele assim como seus pais iria te dizer que ajudar e ter integridade é algo importante, ele te daria muitos livros, iria dizer que a educação é a maior e melhor herança, que Chico Buarque é o melhor compositor do mundo que Bethânia canta com a voz de Deus, Fernando Pessoa é o maior poeta de todos os tempos.
Ele iria colocar você no banco de trás do carro para você conhecer os boêmios, intelectuais, trabalhadores e diria que todos eles tem um valor imenso, falaria sobre a importância da politica e do debate.
Se algum dia você ficasse chateado sairia dar uma volta em um fim de tarde na cidade para te dar um conselho e com ele você sempre poderia contar. Ele diria que comprar livros não é gasto e sim investimento que sempre temos que ser melhores, mais criativos, mais humanos e que a beleza da vida deve ser celebrada... ele também iria colocar você no colo e reclamar do peso, você teria feito jogos da loteria e assistido filmes de ação, ele sempre indicaria livros, programas de televisão e canções novas. Assim como fez com todos nós, inclusive com a vida de uma pacata cidadezinha do interior, ele faria diferente, só porque ser diferente é importante e mais importante que tudo é seguir o próprio caminho e enfrentar as batalhas por nós mesmos e por quem caminha conosco.
Esse seria a sua melhor e mais amada referencia, ou melhor, é sua referencia de quem nunca esteve no mundo assim desavisado, mas que veio para sacudir e arrebatar, a alma artística que ele te deixa de herança.
"Querido Eduardo, opa Dudu, meu neto. Seu avô tem uma larga experiencia e uma vida muito diversificada, portanto posso deixar alguns recados.
A vida é repleta de escolhas ( tive essa conversa com todos meus filhos, com meus netos não seria diferente) você deve sempre optar pelo que é justo e bom, não só para você mas para todos que ama, até para os que não conhece. Lute por tudo que acredita, ainda que muita gente vá olhar sem compreensão, não desista de nada, estude muito, mas aquilo que ama, seu ofício deve ser sua paixão e para ser bem feito só com muito afeto.
Esteja em comunhão com todos que você ama, mude se for necessário, reveja sua vida, demonstre carinho. Aprenda a comer x-salada com Choco Milk, aprenda também a nadar em rios, comer croquete (receita da sua bisa), abrace muito sua vó, ela fará todas as suas vontades."
Ele assim como seus pais iria te dizer que ajudar e ter integridade é algo importante, ele te daria muitos livros, iria dizer que a educação é a maior e melhor herança, que Chico Buarque é o melhor compositor do mundo que Bethânia canta com a voz de Deus, Fernando Pessoa é o maior poeta de todos os tempos.
Ele iria colocar você no banco de trás do carro para você conhecer os boêmios, intelectuais, trabalhadores e diria que todos eles tem um valor imenso, falaria sobre a importância da politica e do debate.
Se algum dia você ficasse chateado sairia dar uma volta em um fim de tarde na cidade para te dar um conselho e com ele você sempre poderia contar. Ele diria que comprar livros não é gasto e sim investimento que sempre temos que ser melhores, mais criativos, mais humanos e que a beleza da vida deve ser celebrada... ele também iria colocar você no colo e reclamar do peso, você teria feito jogos da loteria e assistido filmes de ação, ele sempre indicaria livros, programas de televisão e canções novas. Assim como fez com todos nós, inclusive com a vida de uma pacata cidadezinha do interior, ele faria diferente, só porque ser diferente é importante e mais importante que tudo é seguir o próprio caminho e enfrentar as batalhas por nós mesmos e por quem caminha conosco.
Esse seria a sua melhor e mais amada referencia, ou melhor, é sua referencia de quem nunca esteve no mundo assim desavisado, mas que veio para sacudir e arrebatar, a alma artística que ele te deixa de herança.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
as mentiras dos tempos
Meu querido primeiro eu quero te desejar uma boa noite, de sonhos de tranquilidade, sem dores, sem pesadelos.
Depois que eu te deseje uma longa noite nos braços de Morfeu (para não ser repetitiva), queria muito dizer sobre o que sinto e sobre o que penso.
Mesmo que pareça bobagem, mesmo que seja muito batido e rebatido, mais do que clichê, pensei sobre a vida, na verdade me fiei na passagem dela.
Notei que eu nunca havia atentado para o sabor das coisas, certas coisas ardem, outras adoçam, nunca imaginei cheirar coisas com vontade, apenas cheirava, hoje noto a suma importância dos cheiros nos acontecimentos. Eu jamais entenderia a maravilha da minha infância sem cheiro de Choco Milk, groselha e guarda-chuva de chocolate.
Outro sentido importante é o tato, e se não eu soubesse da sua mão grosseira de gente grande para passear por aí?
Meu querido como deixei passar tudo isso de maneira indolente, irresponsável ?
Quer dizer então que um dia eu deixei tudo de lado?
Então fiz uma retrospectiva silenciosa.Eu nasci, me registraram com essa graça, não contentes em me deixar exposta aos civis fui fazer parte da sociedade religiosa para ser moralmente respeitada. aí fui me educar, para aprender a ler aprender, apreender e bláblá. Fui trabalhar, ganhar dinheiro, cumprir, gastar, consumir.
Mas, meu querido seja sincero como você sempre foi, aquela coisa de nos olharmos e sabermos. Quando foi que a vida passou pelas janelas das casas em que eu sobrevivi e não vivi?
Passei uma tarde pensando, uma vida e ainda não entendi.
Quando foi que deixamos de nos aproximar mesmo que para discordar?
Deixamos a vida se reproduzir de maneira mecânica e matemática, hoje quando tempo não parece infinito e sabemos que seus braços e abraços são findos, meu olhar sobre seu pequeno corpo de monge tibetano, agora prefere notar seu cheirinho, suas mãos ainda grosseiras e falar sobre coisas e mentiras que apenas nós dizemos um para o outro.
Depois que eu te deseje uma longa noite nos braços de Morfeu (para não ser repetitiva), queria muito dizer sobre o que sinto e sobre o que penso.
Mesmo que pareça bobagem, mesmo que seja muito batido e rebatido, mais do que clichê, pensei sobre a vida, na verdade me fiei na passagem dela.
Notei que eu nunca havia atentado para o sabor das coisas, certas coisas ardem, outras adoçam, nunca imaginei cheirar coisas com vontade, apenas cheirava, hoje noto a suma importância dos cheiros nos acontecimentos. Eu jamais entenderia a maravilha da minha infância sem cheiro de Choco Milk, groselha e guarda-chuva de chocolate.
Outro sentido importante é o tato, e se não eu soubesse da sua mão grosseira de gente grande para passear por aí?
Meu querido como deixei passar tudo isso de maneira indolente, irresponsável ?
Quer dizer então que um dia eu deixei tudo de lado?
Então fiz uma retrospectiva silenciosa.Eu nasci, me registraram com essa graça, não contentes em me deixar exposta aos civis fui fazer parte da sociedade religiosa para ser moralmente respeitada. aí fui me educar, para aprender a ler aprender, apreender e bláblá. Fui trabalhar, ganhar dinheiro, cumprir, gastar, consumir.
Mas, meu querido seja sincero como você sempre foi, aquela coisa de nos olharmos e sabermos. Quando foi que a vida passou pelas janelas das casas em que eu sobrevivi e não vivi?
Passei uma tarde pensando, uma vida e ainda não entendi.
Quando foi que deixamos de nos aproximar mesmo que para discordar?
Deixamos a vida se reproduzir de maneira mecânica e matemática, hoje quando tempo não parece infinito e sabemos que seus braços e abraços são findos, meu olhar sobre seu pequeno corpo de monge tibetano, agora prefere notar seu cheirinho, suas mãos ainda grosseiras e falar sobre coisas e mentiras que apenas nós dizemos um para o outro.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Um minuto
Eu costumo olhar pelas grades da janela do quarto, ver a mesma rua, a mesma vizinhança todos os dias pelos losangos que me protegem e me impedem de atravessar a vizinhança, o bairro, o mundo.
Um minuto de coragem é o que me falta para arrancar o que não me permite transpor a caixa em que me enquadro, onde me prendo, um minuto de coragem para mudar.
Quebrar as regras que se impõe pele retângulo feito para olhar e ser olhado com segurança.
E por mais clichê que isso possa parecer a vida passa tão depressa, que não cabe no espaço de uma canção, um dia eu posso piscar ou nem mais abrir os olhos para a vizinhança que acompanhou o crescimento, a rebeldia de butique, o diploma, a vida assalariada.
Eu poderia ter menos de um minuto de coragem para não deixar nada escapar. As rugas dele e dela que tentam transitar por uma existência ainda me parecem distantes, foram sessenta anos de caminhada, vinte e sete almejando por sonhos através das grades que podem sumir dali ou ficar por aí para garantir que medo não só se avizinhe, mas que ele permaneça.
Um minuto para correr da vizinhança, da doença, um minuto para correr em direção a ela, e dizer que eu vou viver.
Nesse momento penso nas rugas da testa, dos óculos e da camisa fechada, no barulho das panelas e na vizinhança que acompanha tudo através da grades verdes dispostas a anos. Um cigarro fumado na madrugada, uma lágrima reprimida, uma esperança fujona e a necessidade de um minuto de coragem para falar sobre a saudade, para dar aquele telefonema, um minuto que agora parece tão pouco, que não permite que a canção termine, um minuto do qual vou sentir falta.
Como da primeira vez que se vê o oceano um minuto que se basta, uma poesia ruim, para não estrangular o mundo que se avizinha o tempo que finda.
Um minuto de coragem é o que me falta para arrancar o que não me permite transpor a caixa em que me enquadro, onde me prendo, um minuto de coragem para mudar.
Quebrar as regras que se impõe pele retângulo feito para olhar e ser olhado com segurança.
E por mais clichê que isso possa parecer a vida passa tão depressa, que não cabe no espaço de uma canção, um dia eu posso piscar ou nem mais abrir os olhos para a vizinhança que acompanhou o crescimento, a rebeldia de butique, o diploma, a vida assalariada.
Eu poderia ter menos de um minuto de coragem para não deixar nada escapar. As rugas dele e dela que tentam transitar por uma existência ainda me parecem distantes, foram sessenta anos de caminhada, vinte e sete almejando por sonhos através das grades que podem sumir dali ou ficar por aí para garantir que medo não só se avizinhe, mas que ele permaneça.
Um minuto para correr da vizinhança, da doença, um minuto para correr em direção a ela, e dizer que eu vou viver.
Nesse momento penso nas rugas da testa, dos óculos e da camisa fechada, no barulho das panelas e na vizinhança que acompanha tudo através da grades verdes dispostas a anos. Um cigarro fumado na madrugada, uma lágrima reprimida, uma esperança fujona e a necessidade de um minuto de coragem para falar sobre a saudade, para dar aquele telefonema, um minuto que agora parece tão pouco, que não permite que a canção termine, um minuto do qual vou sentir falta.
Como da primeira vez que se vê o oceano um minuto que se basta, uma poesia ruim, para não estrangular o mundo que se avizinha o tempo que finda.
sábado, 9 de novembro de 2013
Hoje desejo ser poeta, pois esses seres que pelo mundo passam deixam uma obra de beleza, apenas eles sabem sobre a beleza das coisas.
Desejo de todo coração escrever versos, um poeta olha uma cortina balançando ao vento e enxerga a saia de sua amada a rodar no samba, um poeta veria o azul do céu nesse dia esplendoroso e conseguiria deixa r esse azul ainda mais doce. Falta me faz ser poeta, eles bebem com classe, fuma cm charme, conseguem transformar o disforme em forma de amor.
Lamento por não ser poeta, pois se eu fosse, escreveria um poema sobre o verde peculiar dos olhos ainda renascendo de uma noite de uma longa noite de sono, porque se eu falasse em estrofes sobre os desenhos, que consigo ver m todos os lugares quando encontro certo aconchego que nem o cobertor da infância traria.
Se eu fosse como o Vinicius eu escreveria um soneto para você, mas me falta o talento do Neruda para falar de sentimentos. Eu sei sentir, mas não como os poetas, porque se eu soubesse você ia ver só....
Seus olhos de preguiça e de ressaca como os de Capitu seriam os felizes proprietários dos versos mais bonitos.
Como não sou poeta, mas sou larapia furtei para o colo mais gostoso da galaxia, muitos poemas e uma meia duzia de canções de todas as culturas, quem sabe se eu fosse pintora saberia também poderia pincelar sobre aquilo ou aquele, sabe aquele, você sabe não é?
Como me faltam uma meia duzia de palavras ou mais nessa prosa mal escrita... achei de bom tom roubar um verso...
verso que fica em segredo para ser entregue me papel as escondidas.
Desejo de todo coração escrever versos, um poeta olha uma cortina balançando ao vento e enxerga a saia de sua amada a rodar no samba, um poeta veria o azul do céu nesse dia esplendoroso e conseguiria deixa r esse azul ainda mais doce. Falta me faz ser poeta, eles bebem com classe, fuma cm charme, conseguem transformar o disforme em forma de amor.
Lamento por não ser poeta, pois se eu fosse, escreveria um poema sobre o verde peculiar dos olhos ainda renascendo de uma noite de uma longa noite de sono, porque se eu falasse em estrofes sobre os desenhos, que consigo ver m todos os lugares quando encontro certo aconchego que nem o cobertor da infância traria.
Se eu fosse como o Vinicius eu escreveria um soneto para você, mas me falta o talento do Neruda para falar de sentimentos. Eu sei sentir, mas não como os poetas, porque se eu soubesse você ia ver só....
Seus olhos de preguiça e de ressaca como os de Capitu seriam os felizes proprietários dos versos mais bonitos.
Como não sou poeta, mas sou larapia furtei para o colo mais gostoso da galaxia, muitos poemas e uma meia duzia de canções de todas as culturas, quem sabe se eu fosse pintora saberia também poderia pincelar sobre aquilo ou aquele, sabe aquele, você sabe não é?
Como me faltam uma meia duzia de palavras ou mais nessa prosa mal escrita... achei de bom tom roubar um verso...
verso que fica em segredo para ser entregue me papel as escondidas.
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